"Na Vereda de Ítaca" foi uma peça realizada no Teatro Malaposta, em Julho, em Lisboa, com criação da minha turma do Curso de Formação de Atores. Feita a partir da obra A Odisséia, de Homero, a encenação foi de Susana Cecílio e Marta Celírico, ambas nossas professoras da disciplina de Corpo e Processos Criativos.
Como era início do ano letivo e ainda o grupo de alunos não se conhecia, os trabalhos foram centrados em exercícios de contato de improvisação, corpo e jogos. O fruto do nosso primeiro semestre foi uma pequena peça chamada O Fabuloso Ajax, nome dado como sugestão pela nossa professora Susana, e escolhido e aceito pela nossa turma.
Cada aluno tinha que escolher um super-herói que se identificasse, se apresentar como o tal, e justificar o porque da escolha. Logo começamos a trabalhar posições que identificasse esse super herói, criamos lutas entre eles, rimas, e logo foi criando um pequeno esboço da peça O Fabuloso Ajax. Cada um de nós ficou responsável de fazer uma roupa mais próxima possível da roupa usada pelo seu super-herói.. o que no fim se tornou uma coisa engraçada, porque tínhamos uma mescla muito grande, desde Sininho do Peter Pan ( o que foi uma polêmica em saber se ela podia ser, ou não, considerada um super herói) até o Dr Manhattan da Marvel. Como era nosso primeiro espetáculo, estavamos todos muito nervosos, mas no fim correu muito bem, foi um espetáculo aberto aos nossos familiares, amigos, e conhecidos, com duração de uma hora.
No segundo semestre, nossa professora/encenadora, fez uma ligação muito importante entre o Super-Herói e o Herói.. nos fazendo debater qual era a diferença entre os dois termos, e muitas outras questões interessantes, como: se quando um super-herói se transforma, ele perde sua identidade, e qual era a diferença entre identidade e personalidade.. assuntos que na maioria das vezes mexe com a gente!
No fim, não conseguimos chegar a uma conclusão que agrada a todos, pois cada um de nós tinha uma opnião diferente.
Paralelo a representação do super-herói, a idéia de trabalharmos a Odisséia de Homero foi-nos apresentada a partir da compreensão de que Ulisses foi um grande herói e passou por aventuras e dificuldades que todos nós hoje passamos de alguma maneira mais cedo ou mais tarde. Portanto, com esta contextualização passamos a nos identificar com o texto. No primeiro momento, recebemos um texto que falava sobre Ítaca; foi-nos dado alguns minutos para ler o texto e criar uma improvisação de um minuto baseado nele e o que ele representou para nós. Logo depois, tivemos aulas a ler os capitulos que íamos ter como base e depois começamos a trabalhar fisicamente, para podermos ir criando o espetáculo, pois era um processo de criação, no qual começávamos a montar a partir do nosso próprio trabalho e idéias. O que para a maioria de nós foi muito interessante e nos deixava empolgados.
Quanto mais o aluno trabalhava, como já era de se imaginar, mais participação teria no espetáculo, pois como era um processo de criação tínhamos de levar idéias para poder montar.
Os textos foram distrubuídos, sempre pedaços do livro, os quais cada personagem tinha muitas vezes mais do que dois atores que o interpretava. No meu caso, foi me dado um capítulo para fazer um resumo, mas fora isso, todos os textos feitos foram tirados do livro.
Éra-nos lançadas idéias que de começo parecia sem sentido, e não entendíamos muito bem onde as professoras queriam que nós chegássemos, mas ensaio após ensaio foi tomando forma e foi ficando muito gostoso de se trabalhar.
Os dias que anteciparam a nossa estréia, no Teatro da Malaposta, aqui em Lisboa, foram um caos.
Era cenário, figurino, luzes, nervos, tudo que existia deixava nos ansiosos e nervosos, com ''gana'' para que chegasse o nosso dia. No tão esperado dia da estréia, fomos cedo para teatro, ficamos fazendo passagens, e arrumando as coisas todas até horas antes do espetáculo começar. Fomos liberados para írmos comer alguma coisa e descansar. Logo, depois voltamos para começar a nos concentrar. Foi lindo!! Nunca esqueço do quanto eu chorava após a nossa apresentação, pois trabalhamos para aquilo, vimos resultado foi positivo e que conseguimos passar alguma mensagem para o nosso público. É algo que não tem explicação. O aprendizado que se ganha quando se esta em fase de criação de espetáculo é gigante e não tem preço.
Penso que cada vez que pisamos no palco a emoção e alegria são como se fosse a primeira vez. Aquele frio na barriga, algumas lágrimas... Embora sabemos que o palco é nosso e ensaiamos dia e noite para que aquilo acontecesse em uma ou algumas horas, aquilo é vida, a arte é vida, representar é vida e a vida emociona-nos muitas e muitas vezes!
Foto com: Ana Ribeiro, Cris Simões, Eugenio Ilco, João Jacinto, Jorge Caetano, Likinho, Lucía Lopez, Maria Eduarda Becker Pavani, Marisa Oliveira, Rafael Cabrita, Renato Simões, Ricardo Afonso, Rita Dias e Rita Inverno.
Maria Eduarda,
ResponderEliminarO teu depoimento tão sentido, do que viveste em palco, mostra-nos o que a vida pode representar para a arte e de como a arte transforma a vida.
Parabéns pelo texto, ainda bem que esta eu consegui assistir.
beijus