15/11/11

"O Manual do Ator" , C. Stanislavski








" Senti que a única coisa que me cabia fazer era dedicar meu trabalho e minha energia quase que exclusivamente ao estudo da Natureza Criadora.(..) ao longo de anos de trabalho adquiri uma semana considerável de experiências, e é isso o que eu tentei compartilhar com vocês." 
  C. Stanislavski.

Assim começa o livro '' O Manual do Ator'', de C. Stanislavski.

Uma obra que apresenta ao público tudo o que Stanislavski afirmou, com suas próprias palavras, sobre as diversas facetas da arte à qual se dedicou de corpo e alma durante toda a sua vida.

Constantin Stanislavski, nasceu na cidade de Moscou, em 5 de janeiro de 1863. Vindo de uma família de comerciantes ricos, seu primeiro contato com o mundo das artes foi desde cedo. Seu pai construiu um pequeno teatro dentro de sua própria casa, e lá aconteciam apresentações de peças para um grupo de amigos da família.

Junto com Fiédotov, 25 anos mais tarde, C. Stanislavski passa a ser um dos fundadores da Sociedade Literária de Moscou. Mesmo sendo destaque como ator e diretor, para ele, havia uma necessidade de um estudo mais aprofundado sobre a arte teatral. Logo, deixou a sociedade por falta de autonomia financeira, pois estava arcando do seu próprio bolso com as despesas.

No dia 22 de junho de 1897, quase dez anos mais tarde, ocorreu um encontro histórico que influência até os dias de hoje o teatro mundial. Stanislavski junto de Dântchenco, fundam o "Teatro de Arte de Moscou". Eles tinham como objetivo buscar uma unidade teatral, inovando na forma de interpretação dos atores.

Dentro de vários métodos experimentados, eles buscavam proporcionar ao público uma apresentação mais próxima da realidade, e dentre muitos, alguns foram levados mais afundo, que resultou em uma série de exercícios e técnicas, que hoje conhecemos como "Sistema".

 O Sistema

Stanislavski dizia que quando papel e ator estão conectados, o papel ganha vida, e o que se faz necessário é constituir uma técnica capaz de possibilitar que isto sempre ocorra. 

"Esqueça de tudo, deixe fluir, mas lembrem-se: isto pode acontecer algumas vezes em sua carreira, ou mesmo nunca. O que existe é técnica. Todo o resto depende da forma (particular) com que você atua." E isso é resultado de como o ator se dedica e ama o seu papel.

A maioria dos bons atores atuais, seja de teatro, cinema, ou televisão, devem a este aprendizado parte do sucesso que alcançam. Usando o Sistema, o ator é levado a uma análise de si mesmo, e também ao conhecimento do seu personagem. O ator é levado a descobrir os objetivos do personagem em cada cena, dentro do objetivo geral da peça.
Stanislavski dizia que uma das primeiras perguntas que o ator deve se fazer é: "O que eu faria se estivesse na mesma situação que meu personagem?"

Hoje em dia "O Manual do Ator" é um dos livros mais indicados para alunos da representação. 
O livro é literalmente um manual, onde cada passo é separado por um título, e logo um texto explica tudo como deve ser, passo a passo, com inúmeros questionamentos; como por exemplo:

"Atores usam seus próprios sentimentos.
Será que devemos usar nossos mesmos e velhos sentimentos(...) em todos os tipos de papel de Hamlet a Sugar, e, O pássaro azul? E o que mais podemos fazer? (...) Vocês esperam que um ator invente todo o tipo de novas sensações, ou até mesmo uma nova alma, para cada papel que interpretar? Quantas almas teria ele que abrigar? (...) Pode ele desfazer-se de sua própria alma e substituí-la por outra, que alugou por ser mais adequada a um determinado papel? Onde poderia obtê-la? Podemos tomar emprestado coisas de todos os tipos, mas é impossível apropriar-se dos sentimentos de outra pessoa. Meus sentimentos são inalienavelmente meus, assim como os seus só a vocês pertencem. Podemos compreender um papel, simpatizarmo-nos com a pessoa representada e colocarmo-nos em seu lugar, de modo a agir exatamente como ela agiria. Isso despertará, no ator, sentimentos análogos àqueles que são necessários para o papel. Tais sentimentos não pertencerão à pessoa criada pelo autor da peça, mas sim ao próprio ator. Quando um verdadeiro artista repete o solilóquio ''ser ou não ser'', de Hamlet, coloca nos versos uma grande parcela de sua própria concepção de vida. (...) Para ele, é necessário que os espectadores sintam sua afinidade interior com aquilo que está dizendo.
A escolada musical tem apenas sete notas, e o espectro solar somente sete cores primárias; no entanto, na pintura e na música, respectivamente, as combinações dessas cores e notas são impossíveis de enumerar. O mesmo se pode dizer de nossas emoções fundamentais."

Existem vários outros sistemas atualmente, mas todos com grande influência no "Sistema" de Stanislavski.
Temos como exemplo a "Técnica de Meisner", criado por Sanford Meisner, que hoje em dia é considerado nos Estados Unidos uma das principais técnicas de atuação para cinema e teatro. A fundação do método é: "Atuar é a habilidade de viver verdadeiramente sob circunstâncias imaginárias."

Após sofrer um ataque cardíaco, no ano de 1938, Stanislavski deixa de atuar, e passa a se dedicar somente s.a direção, e formação de atores e diretores. Morre na mesma cidade onde nasceu, Moscou, no dia 7 de agosto de 1930. Deixou seus métodos que foram publicados 7 edições.

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